‘Me senti humilhada’, diz travesti impedida por funcionário de usar banheiro feminino em mercado popular no Acre

bruna

A travesti Bruna Silva, de 25 anos, afirma ter sido impedida de usar o banheiro público feminino que fica nas pensões do Mercado Aziz Abucater, no Centro de Rio Branco. Bruna relatou que na terça-feira (21) entrou no banheiro mas, ao sair na porta do local, um funcionário a abordou e disse que na próxima vez ela deveria usar o banheiro masculino. A situação causou constrangimento, segundo ela.

Ao G1, a Prefeitura de Rio Branco informou que o uso de banheiro está liberado a todos. O órgão explicou que, a partir deste caso, vai montar uma sala de situação com todas as secretarias que possuem banheiros públicos, setor jurídico e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) para tratar do assunto. Além disso, vai editar uma instrução para o uso do banheiro por travestis e transexuais como ocorre na OCA.

Bruna trabalha no Mercado com a mãe, que é permissionária de uma pensão no local, e contou que essa não foi a primeira vez que sofreu preconceito. Em outra situação, ela diz que foi abordada por uma funcionária dentro do banheiro e chamada de “aberração”. Na terça (21), o funcionário que a abordou disse que ela deveria mostrar uma lei que o obrigasse a permitir que ela usasse o banheiro feminino.

“Me senti humilhada, foi desagradável e constrangedor, é muito preconceito. Infelizmente, falta conhecimento às pessoas, entendimento e compreensão. As pessoas sempre soltam piadas, às vezes não falam, mas só no olhar significa muita coisa para nós”, lamenta.

Em outra situação, no final de outubro, Bruna relata que foi agredida verbalmente no banheiro do mercado. Segundo a travesti, uma usuária do banheiro a chamou de “demônio” e disse que ela não deveria conviver em sociedade e nem usar o banheiro feminino.

“Essa senhora disse que eu era um macaco. Eu falei que ela não deveria me abordar dessa maneira, mas ela estava muito agressiva e fiquei com medo de ela me agredir fisicamente. Trabalho aqui há três meses e já até pensei em sair, pois o preconceito é muito grande”, afirma.

Fórum de ONGs LGBTs acompanha caso

O presidente do Fórum Estadual de ONGs LGBTs, Germano Marino, disse ao G1, nesta quarta (22), que foi até o mercado e conversou com o responsável pela administração e que a situação foi resolvida.

Marino explicou que não há lei no Brasil que regulamente o que é banheiro feminino e masculino e o que existe é um contrato social. Nesses casos, devido ao preconceito, o direito das mulheres travestis e transexuais de entrar no banheiro feminino é negado alegando que as mulheres passam constrangimento, mesma alegação dos homens.

“Não tem como construirmos um terceiro banheiro para as pessoas travestis e transexuais, se a pessoa está estereotipada feminino vai no banheiro feminino. A mãe da Bruna é permissionária e trabalha na pensão e ela ajuda. Como ela trabalha lá, precisa usar o banheiro mas os funcionários estavam impedindo ela”, conta.

O presidente do Fórum afirma que nesses casos a vítima deve ir à delegacia registrar um boletim de ocorrência e pedir que o caso seja encaminhado ao Juizado Cível. Além disso, a direção do estabelecimento deve ser acionada para ser responsabilizada e cobrar indenização mediante a proibição do uso do banheiro.

“No caso da Bruna, conseguimos resolver com a administração. Eles vão colocar uma normativa na porta do banheiro para que todos os usuários e permissionários do mercado fiquem cientes que é permitido que travestis e transexuais femininas usem o banheiro e ninguém mais seja constrangido”, finaliza.

Por: Josy Monteiro

 Da Redação: avozdafronteira.com (com informações: g1.globo.com)